Alcóolicos Anônimos - Bahia - Área 26

O Programa A.A.

Procurar Assistência Especializada

Provavelmente, todo alcoólico recuperado já precisou e já procurou assistência especializada que não a oferecida pelo A.A. Por exemplo, os dois primeiros membros do A.A., seus co-fundadores, tiveram necessidade e se valeram da ajuda de médicos, hospitais e religiosos.

Assim que começamos a permanecer sóbrios muitos problemas parecem desaparecer. Mas persistem (ou surgem) outros que realmente exigem atenção profissional especializada, como a de um obstetra, de um pedicuro, de um advogado, de um especialista em tórax, de um dentista, de um dermatologista ou de um conselheiro psicólogo.

Como o A.A. não oferece tais serviços, dependemos da comunidade profissional para conseguir emprego ou orientação vocacional, conselho para as relações domésticas, ajuda para problemas psiquiátricos e muitas outras necessidades.

O A.A. não dá assistência financeira, alimento, roupa nem alojamento a bebedores-problema. Mas existem boas entidades profissionais e outros meios dispostos a ajudar um alcoólico que tenta sinceramente parar de beber.

Necessitar de uma mão amiga não é sinal de fraqueza nem motivo para vergonha. O “orgulho” que nos impede de aceitar o apoio encorajador de um bom profissional é falso. Quanto mais amadurecido a gente se torna, mais se dispõe a aceitar a melhor orientação e ajuda possíveis.

Examinando as “histórias” de alcoólicos recuperados, podemos claramente ver que todos nos beneficiamos, numa ocasião ou noutra, dos serviços especializados de psiquiatras e outros médicos, enfermeiros, orientadores, assistentes sociais, advogados, religiosos e outros profissionais. O livro básico do A.A. “Alcoólicos Anônimos” recomenda especificamente (página 86) que se procure ajuda. Felizmente, não encontramos conflito entre as idéias do A.A. e a competente orientação de um profissional com conhecimento especializado do alcoolismo.

Não negamos que os alcoólicos já tiveram muitas experiências infelizes com alguns profissionais. Os não-alcoólicos, porém, como são muito mais, tiveram ainda maior número delas. Ainda está por nascer o médico perfeito ou o conselheiro espiritual ou o advogado que não cometa engano. E, enquanto houver gente doente no mundo, é provável que jamais deixem de existir erros no tratamento.

Com justiça, temos de confessar que os bebedores-problema não são exatamente as pessoas mais fáceis de ajudar. Nós, às vezes, mentimos. Desobedecemos as instruções. E, quando saramos, culpamos o médico por não debelar mais cedo o dano que passamos semanas, meses ou anos nos infligindo. Nem todos pagamos as contas com presteza. E, continuamente, fizemos de tudo para sabotar o tratamento e a orientação para culpar o profissional. Era uma vitória barata e falsa, pois, no final, éramos nós que arcávamos com as conseqüências.

Alguns de nós estamos conscientes, agora, de que nosso comportamento nos impedia de obter a boa orientação ou o tratamento de que realmente precisávamos. Um modo de explicar nossa conduta contraditória é dizer que era ditada por nossa doença. O álcool é astuto e enganoso. Pode forçar qualquer pessoa presa em seus grilhões a comportar-se de forma autodestrutiva, contrária à sua sanidade, juízo ou aos seus legítimos desejos. Não premeditamos prejudicar a saúde. Nossa dependência do álcool apenas se protegia contra as incursões dos agentes da saúde.

Se, apesar de estarmos sóbrios agora, ainda tentamos dar palpites contrários à orientação de autênticos profissionais, isso pode ser um sinal de aviso. Será que o alcoolismo ativo está tentando infiltrar-se de novo em nós?

Em alguns casos, as opiniões e recomendações conflitantes de outros alcoólicos recuperados podem dificultar ao novato a procura do necessário auxílio profissional.

Assim como quase todo mundo tem um antídoto favorito para ressaca ou remédio para resfriado, quase todas as pessoas que conhecemos têm seus médicos preferidos ou menos queridos.

Naturalmente, é prudente sacar do grande banco da sabedoria acumulada dos alcoólicos bem assentados na recuperação. Mas, o que dá certo para outros, não é necessariamente o que funciona para você. Cada um tem de aceitar sua responsabilidade final por sua própria ação ou inação. Isso depende de cada indivíduo.

Depois de ter examinado as diversas possibilidades, consultado amigos, considerado os prós e os contra, a decisão de conseguir e utilizar a ajuda profissional, em última instância, é sua. Tomar ou não tomar Disulfiram (Antabuse), fazer psicoterapia, voltar à escola ou trocar de emprego, submeter-se a uma operação, fazer regime, deixar de fumar, seguir ou ignorar os conselhos do advogado a respeito de seus impostos – todas estas são decisões suas. Respeitamos seu direito de toma-las e de mudar de idéia quando os acontecimentos assim lhe permitirem.

Naturalmente, nem todos os médicos, psicólogos, homens de ciência concordam exatamente com tudo que está exposto neste livro. Isso é perfeitamente normal. Como é que poderiam? Afinal, eles nunca tiveram a experiência pessoal, de primeira mão, que acumulamos com o alcoolismo, e pouquíssimos encontraram tantos bebedores-problema durante tanto tempo quanto nós. Nem nós dispomos da educação profissional e da disciplina que os preparou para suas tarefas.

Isso não quer dizer que eles estejam certos, e nós errados, ou vice-versa. Nós e eles temos papeis e responsabilidades inteiramente diferentes na ajuda aos bebedores-problema. Que você possa ter, nesses aspectos, a mesma boa sorte que nos sorriu a tantos. Centenas de milhares de nós somos profundamente gratos aos inúmeros profissionais de ambos os sexos que nos ajudaram ou tentaram fazê-lo.