Alcóolicos Anônimos - Bahia - Área 26

História do A.A.

Os AAs de Cleveland deixam o Grupo Oxford

Em alguns aspectos, é possível ver o início de 1939 como uma época mais feliz e mais simples, no que diz respeito aos AAs de Akron. Muitos se lembram dela dessa forma. As primeiras lutas haviam terminado; existia um livro; e os membros, reunidos em afeto e camaradagem por uma união mais íntima do que existe em muitas famílias, sabiam que conseguiriam permanecer sóbrios no programa.

Havia apenas uma reunião – o fato mais importante da semana para todos. Entre uma e outra, diariamente, havia café e conversas, uma festa nas noites de sábado e alguns novos bêbados para visitar no City Hospital. A.A. estava crescendo, mas ainda não tão rápido que pudesse incomodar alguém.

Na verdade, a situação não era idílica. Existia um verdadeiro problema com o Grupo Oxford.

Bob E. colocou: "Começamos com apenas alguns poucos sujeitos que foram bem-vindos a uma reunião do Grupo Oxford. Crescemos em número e barulho até tomarmos posse do lugar. Em vez de sermos o pessoal alcoólico do Grupo Oxford, éramos os líderes, tínhamos sempre que decidir, ou seja, fazer as coisas funcionarem.

"Mas estávamos limitados. Não podíamos questionar a orientação. Costumávamos nos sentar em círculo quando começamos, porque éramos poucos. T. Henry e Clarace, Florence Main e Henrietta Seiberling conduziam as reuniões. Eram os líderes.

"Metade do tempo tínhamos de ficar em silêncio, esperando ouvir a orientação. Isso fazia com que os bêbados ficassem, impacientes. Não conseguíamos agüentar. Ficávamos nervosos. À medida que aumentou o número de membros e nossa influência, o silêncio foi quase eliminado. Os não-alcoólicos podiam ver que suas regras não estavam sendo seguidas.”

"Fazíamos parte do Grupo Oxford até que nos mudamos para outro espaço. Falou-se muito sobre o desgaste do carpete de T. Henry – eram muitos sujeitos entrando. Mas esse não era o problema, apesar de que ele precisou colocar cerca de 30 cadeiras até o final, e realmente precisávamos de mais espaço”.

"Isso é claro, explica muitas coisas. A maioria dos alcoólicos aceitou algumas partes do programa do Grupo Oxford e rejeitou outras. A insistência do Grupo no fato de que o membro tinha de praticar tudo de uma só vez não convencia os alcoólicos.

Bill observou que a prática do Grupo Oxford de "comprovar” (o julgamento de um membro sobre a autenticidade de orientação pina que outro dizia ter recebido) dava aos alcoólicos a sensação de que os líderes do G.O. estavam tentando controlá-los. Também citava a técnica de fazer com que as pessoas se sentissem indesejadas ou pouco à vontade até concordarem com algum ponto de visto do G.O.

Como Bill colocou, os bêbados "não aceitavam qualquer tipo de pressão, exceto do próprio Dom Álcool... Não agüentavam o evangelismo um tanto agressivo do Grupo Oxford. Não aceitavam, também, o princípio da 'orientação em equipe' para suas próprias vidas."

Se os alcoólicos não se sentiam muito à vontade com os participantes do Grupo Oxford, nem estes se sentiam inteiramente à vontade com os alcoólicos.

Alguns oxfordianos podem ter considerado essa associação com os bêbados uma espécie de trabalho social, já que muito da “orientação” que recebiam e transmitiam parecia ser direcionada para o pessoal alcoólico mais do que para eles próprios. Posteriormente, isso se tornou conhecido como "fazer o inventário de outro", uma prática em que até mesmo os AAs podem ser peritos.

Outros oxfordianos achavam que a participação dos alcoólicos diminuía o prestigio pessoal deles, e informaram a T. Henry, Clarace e Henrietta a respeito disso. Esperava-se, apesar de tudo, que se concentrassem em atrair os líderes da comunidade - a elite. A maioria dos alcoólicos estava longe de ser líder da comunidade. Alguns oxfordianos até mesmo sugeriram que os alcoólicos fossem selecionados, para que somente os mais aceitáveis socialmente fossem admitidos.

Um certo número de alcoólicos de Akron que ingressou no programa em 1939 falou mais claramente sobre o assunto do que Bob ou Bill pudessem ter feito. "Não nos queriam", foi talvez o comentário mais gentil feito sobre a maioria dos não-alcoólicos do Grupo Oxford, que tinham suas próprias reuniões e não se associavam ao pessoal alcoólico. "Não queriam os peões", disse John R. (marido de Elgie). "Queriam as pessoas com dinheiro. Com exceção de T. Henry, que não se importava com o que você era. Era um grande cara."

Como mencionado anteriormente, Frank Buchman nunca gostou muito desse famoso desmembramento de seu Grupo Oxford. E no que diz respeito a ele e a outros líderes oxfordianos, uma ruptura era considerada conveniente também por outras razões.

De certa forma, os AAs como grupo tinham a tendência de limitar suas abordagens somente a outros alcoólicos – o que nós agora temos como "nosso propósito primordial." Por outro lado, o Dr. Buchman achava que o alcoolismo era apenas parte do que estava errado com o mundo – um sintoma, talvez.

Além disso, os alcoólicos estavam se tornando mais insistentes quanto ao anonimato em nível público – um princípio que ia contra o programa de Buchman de anunciar a "mudança" no rumo da vida das pessoas como uma maneira de atrair outras para a organização.

Ademais, o Grupo Oxford estava começando a ter problemas em nível local. Houve separações e controvérsias em Akron nos ambientes social, religioso e empresarial. Quando o filho do magnata da borracha (cuja "mudança" tinha, incidentalmente, sido altamente pulgada) voltou a beber, muitas pessoas da Igreja defenderam o Grupo Oxford. O Grupo também se envolveu na resolução ou no julgamento de questões éticas dos negócios entre as grandes companhias de borracha. Esse procedimento não foi bem visto pelos industriais da cidade. Afinal, mudar as pessoas era uma coisa – mudar os negócios, outra.

Henrietta Seiberling acreditava que A.A. não devia se envolver com a arrecadação de dinheiro, pois esse era o meio que o diabo usaria para destruir A.A., e discutiu essa questão com Bill e Dr. Bob. Ao mesmo tempo, achava que os AAs não estavam dando ênfase o suficiente a Deus.

"Nos primeiros dias", recordou ela, "Bill me disse: 'Henrietta, não acho que devemos falar tanto sobre religião ou Deus'. Eu retruquei: 'Bem, não temos obrigação de agradar aos alcoólicos.. Eles têm feito o que querem durante todos esses anos. Temos obrigação de agradar a Deus. Se não se falar sobre o que Deus faz, sobre sua fé e orientação, então podemos ser um Rotary Club ou qualquer coisa desse tipo, porque Deus é sua única fonte de poder'. Finalmente, ele concordou".

Bill pode ter concordado, como muitos outros. Ainda assim havia muitos AAs que não mudaram ou se renderam a tal ponto. Faziam todo o possível para abranger o Primeiro Passo e não estavam totalmente prontos para encarar os outros. O conceito deles, de um Poder Superior, era diferente daquele dos oxfordianos, que não estavam preparados para aceitar os focos de luz e os ônibus da Terceira Avenida como exemplo de "Deus como eu O concebo." Anos depois, Henrietta ficou desapontada com as conversas que ouviu em uma grande reunião de A.A., dizendo: "Deduzi que estavam dando uma descrição do trabalho que um psiquiatra fez com eles. Não havia espiritualidade ou conversa sobre o que Deus havia feito em suas vidas”. Isso, também, foi uma atitude que representou uma diferença fundamental entre os AAs e os oxfordianos. Os AAs tinham cada vez mais a tendência de permitir que os novos membros chegassem a um conceito de um Poder Superior de acordo com seu próprio tempo e maneira.

Considerando todos esses fatores, além dos comentários de Bill e outros, Dr. Bob muito provavelmente estava ciente, não somente de que uma ruptura estava para acontecer, mas que era inevitável. Entretanto, era um homem prudente quando se tratava de fazer mudanças. Pode ter estado disposto a esperar e permitir que o inevitável acontecesse.

Outra coisa: Uma das características mais acentuadas em Dr. Bob era a lealdade – não somente a Bill, mas também a Henrietta Seiberling, T. Henry e Clarace Williams. Esses três haviam feito muito para ajudá-lo antes de parar de beber, e depois – enfrentando as críticas dos membros de seu próprio Grupo Oxford -, dando muito apoio a ele e aos primeiros membros nos anos cruciais que se seguiram.

Então, quando ocorreu a primeira ruptura em Ohio, aconteceu em Cleveland, antes de Akron. E as razões que diretamente a provocaram foram quase que inteiramente diferentes dos fatores básicos mencionados anteriormente. Além disso, foi vista por alguns como sendo quase tanto uma ruptura dos AAs de Akron como foi do Grupo Oxford.

(págs: 162-168) continua o capítulo XII ... (Dr. Bob e os Bons Veteranos – 2ª ed. 06/05)

No início de 1939, Clarence S. tornou-se o ponto de partida do contingente de A.A. em Cleveland. Todas as semanas, ele e Dorothy levavam homens para a reunião na casa de T. Henry. Muitos deles eram católicos. Clarence lembrou-se de lhes ter dito que as reuniões do Grupo Oxford não interfeririam em suas religiões. "Entretanto, o testemunho dado pelos membros nas reuniões lhes parecia uma confissão pública, e isso não era permitido. Além disso, a idéia de receber orientação não encaixava bem com eles. E para piorar ainda mais, eles (os oxfordianos) estavam usando a Bíblia errada. Em conseqüência, acabei por ouvir muitas reclamações no caminho de volta para casa", contou Clarence.

Dorothy (que na época era sua esposa) chamou atenção para o fato de que o crescimento do contingente de Cleveland era por si próprio uma razão importante para a ruptura. "Por muito tempo, estivemos discutindo sobre ter reuniões em Cleveland", disse ela. "Acho que éramos cerca de 13 pessoas, e não se tratava apenas do esforço de reunir todas em Akron, mas achávamos que estávamos sobrecarregando Bob com a hospitalização. Ele estava ficando muito ocupado em Akron”.

Doroty citou, também, o problema dos membros católicos. Contudo, nem todos os membros dessa religião achavam que havia algum problema. Deve-se observar ainda que alguns protestantes olhavam com desdém para o Grupo Oxford. Logo após Clarence ficar sóbrio, Dorothy voltou a ver o reverendo Dilworth Lupton, o famoso pastor da igreja unitária que havia anteriormente lhe contado sobre sua falta de êxito na ajuda aos alcoólicos.

"Disse-lhe: 'Temos uma solução', e lhe contei sobre Clarence e as reuniões. Pedi a ele que participasse de uma delas. 'Haverá outras mulheres que se sentarão aqui em seu escritório, tal como fiz. Gostaria que soubesse que realmente existe alguma esperança', eu disse."

"Bem, fiquei desapontada, porque o reverendo não foi. Ele disse que, à medida que A.A. estivesse misturado com o Grupo Oxford, então estaria destinado a fracassar; que um movimento tão extraordinário como esse nunca deveria ser confundido com uma organização religiosa. Como ele estava certo"

Há várias versões de como ocorreu a separação, para não mencionar os porquês; quem estava certo ou errado; quem tinha ressentimentos; e quem não os deixou falar durante vários anos.

A maioria das pessoas envolvidas nessa situação hoje em dia está morta. E muitas das que ainda vivem eram, na época, tão novas no programa que realmente não faziam idéia das tendências ocultas e das tramas. Muito felizes por estarem sóbrias, ainda não estavam prontas para participar do que um Grupo de A.A. chama, atualmente, de suas reuniões de serviços.

De qualquer forma, Clarence lembrou-se de ter falado com Dr. Bob sobre o problema que os colegas católicos estavam tendo com os métodos do Grupo Oxford.

"Não estamos afastando os católicos da Igreja – a Igreja é que está”, disse ele ser a resposta de Dr. Bob. "Não podemos fazer nada a respeito."

"Sim, podemos", disse Clarence.

"O que você tem em mente?"

"Formar um grupo sem todos esses disparates que são ofensivos a outras pessoas. Agora temos um livro, os Passos, os absolutos. Qualquer um pode viver através desse programa. Podemos iniciar nossas próprias reuniões."

"Não podemos abandonar essas pessoas", contestou Doc. “Devemos nossas vidas a elas."

"E daí?, replicou Clarence. “Também devo minha vida elas. E quanto aos outros?"

"Não podemos fazer nada quanto a eles", disse Doc.

"Ah, sim, podemos."

"Como o quê?"

"Você verá", concluiu Clarence.

"A essa altura", disse Clarence, "Al G. (às vezes chamado de "Abby") estava internado no City Hospital sendo desintoxicado com paraldeído e todas as outras coisas que Doc lhe dava. Eu fui antes para vê-lo, com Bill Wilson. Depois, Bill e minha esposa Dorothy o levaram de carro para o hospital. Al era um conceituado advogado e tinha uma grande casa em Cleveland. Então perguntei à sua esposa se podíamos ter as reuniões lá. Não perguntei a Al."

Dorothy lembrou-se de que demorou quatro horas para levar Al até Akron, porque ele queria parar em todos os bares do caminho. "Nunca esquecerei de quando desapareceu no final do corredor com a enfermeira", disse ela. "Virou-se, acenou dramaticamente em sinal de despedida e disse: 'Se funcionar, nunca esquecerei este dia e nem vocês dois.'

"Abby tinha uma boa educação, e o que me chamou a atenção foi a pessoa em Akron que mais o impressionou; era um homem que não tinha nem terminado a quarta série. De qualquer forma, quando saiu do hospital, manifestou a vontade de abrir sua casa para as reuniões de Cleveland”.

Clarence disse: "Anunciei ao Grupo Oxford que aquela era a última vez que o pessoal de Cleveland estava lá como um contingente – que estávamos formando um Grupo em Cleveland que estaria aberto somente aos alcoólicos e suas famílias. Também que estávamos dando a ele o nome do livro 'Alcoólicos Anônimos'.

"O teto da casa caiu. 'Clarence, você não pode fazer isso!’ disse alguém.

" 'Está feito.’

" 'Precisamos conversar sobre isso'

" 'É tarde demais', eu disse. "A reunião foi marcada para a semana seguinte (11 de maio de 1939). Cometi o erro de dar o endereço a essas pessoas. Elas invadiram a casa e tentaram interromper nossa reunião. Um sujeito tentou me bater. Tudo isso dentro do espírito de puro amor cristão! Mas nós não cedemos."

As lembranças de Dorothy diferem ligeiramente. "Não tínhamos nenhum nome", explicou ela, "mas deixamos todo mundo saber que definitivamente não era um Grupo Oxford. Apenas alcoólicos."

"Anne e Bob, é claro, achavam, também, que deviam desligar-se da dominação do Grupo Oxford", acrescentou. "Mas sentiam, por lealdade a T.Henry e Clarace, que seria uma coisa muito difícil.

"Na verdade, em uma de nossas primeiras reuniões, todo o contingente que era estritamente do Grupo Oxford veio de Akron e foi muito desagradável. Achavam que estávamos sendo extremamente desleais com todos eles ao fazer isso. Foi um grande passo termos saído de Akron."

Al G. recordou sua entrada no hospital no dia 17 de abril. Antes de sair, Dr. Bob veio vê-lo e lhe perguntou se tinha intenção de seguir o programa. "Dr. Bob então puxou sua cadeira com um de seus joelhos e tocou o meu, dizendo; 'Quer rezar comigo pelo seu sucesso?' Fez uma linda oração. Muitas vezes no trabalho com candidatos de A.A., sinto-me culpado por não fazer a mesma coisa."

Naquela noite, Al foi à reunião na casa de T. Henry. "Freqüentei várias dessas reuniões antes de descobrir que nem todas as pessoas eram alcoólicas", explicou ele. Mas apesar de ser católico, sua reação às reuniões foi boa.

"Fomos para Akron durante várias semanas", contou ele, "antes de finalmente ter decidido empreender a organização do Grupo de Cleveland. Em meados de maio de 1939 foi feita a primeira reunião nessa sala. Naquele encontro, estavam pessoas de Akron e todas as de Cleveland."

"Quando começamos a ter as reuniões, houve um considerável debate sobre o nome que daríamos ao Grupo. Vários nomes foram sugeridos. Nenhum parecia servir, então começamos a nos referir a nós mesmos como 'Alcoólicos Anônimos.' "

Seja qual for a conversa que Doc possa ter tido com Clarence antes do começo do Grupo de Cleveland, ele lhe deu seu total apoio desde o início, assim como fizeram muitos outros membros AAs de Akron."

"Dr. Bob esteve presente em todas essas primeiras reuniões que tiveram lugar em nossa casa", contou Al em uma carta a Bill.

Quando perguntaram a John R. se lembrava de algum rancor por parte de Doc, ele disse: "Mas, por Deus, se Doc, Anne, minha esposa (Elgie) e eu íamos até lá para as reuniões – as primeiras reuniões que tiveram.

"Lembro-me de que fomos até lá uma noite, e na volta – Doc era no fundo um garoto, você sabe – saiu da rodovia e começou a dirigir ao longo do caminho que beira o rio River Road. Estava chovendo. Então eu disse: 'Por que você pegou esse caminho? Por aqui vamos ficar presos em algum lugar.' "

" 'Ah não, não vamos', retrucou ele. E foi em direção a Portage Path Hill. Seguimos três quartos do caminho e tivemos de voltar. Ele ria muito. Deve ter pensado que conseguiria passar. Sim, Doc era um grande sujeito. Lembro-me que ele tinha uns 60 anos na época, e era um garotão, sim senhor."

É difícil avaliar a posição de Dr. Bob na questão da separação de Cleveland. Alguns observadores a estabeleceram colocando-o no centro de tudo: "A única coisa que os mantinha em equilíbrio (os AAs locais) era a sabedoria de Dr. Bob. Parecia um milagre seu modo de ser cauteloso. Lá estava ele no meio de um bando de pessoas instáveis, sem experiência."

Talvez Dr. Bob apenas tenha dado a volta por cima. Segundo uma citação atribuída a ele na época, "não há motivo para preocupação a respeito dessas coisas. À medida que as pessoas tenham fé e acreditem, isso (A.A.) seguirá em frente."

Um fato importante para o futuro de A.A. aconteceu em Cleveland: Por qualquer razão, um Grupo de A.A. poderia se separar de outro – sem necessariamente colocar em risco o velho ou o novo Grupo. Segundo membros anônimos observaram, "tudo que se precisa para começar um novo Grupo de A.A. é um ressentimento e uma garrafa térmica."

Na época, Clarence e Dorothy estavam mantendo uma afetuosa e ativa correspondência com Nova Iorque – quer dizer, com Bill Wilson, Hank P. e Ruth Hock, a secretária não-alcoólica do que posteriormente se tornaria o Escritório de Serviços Gerais de A.A.

Em 4 de junho de 1939, poucas semanas depois de o Grupo de Cleveland iniciar suas reuniões, Clarence escreveu para Hank P.: Bill J., Clarace William, eu e etc., etc. tivemos um choque definitivo há algumas semanas, e eles decidiram nos deixar sozinhos e limitar suas atividades a outro território. Perdemos a ajuda de três ou quatro bêbados, mas acho que tem de ser dessa forma. "

Tal como analiso, o problema principal foi que o Grupo Oxford queria aplausos, e também o fato de que fui eu quem tomou a iniciativa de formar nosso Grupo de Cleveland. Bill J. reteve Lloyd T., Charlie J. e Rollie H"., Esses quatro eram, evidentemente, parte do contingente de Cleveland. Rollie era um jogador de beisebol que ficou sóbrio apenas poucas semanas ou dias, na época.

"Não há nada que incomode Bill ou qualquer outra pessoa aqui, atualmente, e realmente esperamos fazer muito trabalho", continuou Clarence. “A maior parte das pessoas (15 ou 16) está intensamente interessada e anda por aí trabalhando e fazendo algo a respeito."

"Nossa política será principalmente essa”, escreveu ele. “Não colocar muita ênfase sobre questões espirituais nas reuniões. Discutir depois das reuniões qualquer assunto ou dúvidas que possam surgir, e muito companheirismo durante todo o tempo.

"Os líderes de reuniões eram escolhidos, até então, pelo tempo em que estavam no Grupo”, disse ele. "Cooperar com visitas aos internados no hospital de modo a não invadir o quarto do paciente com muitas pessoas, mas de preferência um ou no máximo dois rapazes para vê-lo de uma vez. Temos um hospital ideal e um médico alcoólico para atendê-lo. Doc Smith veio a semana passada e conversou com o superintendente do hospital e com o médico residente, e os dois mostraram muita simpatia e entusiasmo. Lá já tínhamos um paciente passando pela experiência, e esperamos mais dois ou três para a próxima semana.

"Pretendemos enfatizar a hospitalização em todos os casos possíveis. De fato, estamos tentando alcançar cerca de 100 por cento dos casos. O homem que arranjar o novo paciente assume a responsabilidade por ele, pelas visitas, pelos dólares, etc.. Depois que a neblina se dissipa, tentamos conhecê-lo a fundo, damos-lhe o livro e conversamos muito com ele. Nosso livro certamente tem sido uma ajuda formidável. Também entramos em contato com seus familiares enquanto ele está no hospital, conversamos com eles e lhes damos o livro. Temos a experiência anterior de Nova Iorque e Akron para nos orientar, e achamos que agora estamos em uma boa posição. Esperamos que você e Bill possam nos ajudar e, em breve, conheçam nossa turma e nos ensinem um pouco de suas experiências e sabedoria."

Bob e Anne tinham viajado para Nova Iorque em junho. “Bob, Anne e o pequeno Bob vão ficar dois ou três dias", é o que diz uma anotação de 23 de junho no diário de Lois. Sem dúvida Bob e Bill discutiram a questão de Cleveland, entre outras coisas, mas tudo o que Lois disse foi: "Fomos de carro a Montclair (Nova Jersey) com Bob e Anne Smith., Boa reunião. Vinte e seis pessoas presentes". Nessa época, á claro, Grupos fora de Nova Iorque haviam se formado no Leste.

Dorothy recordou que Warren C. juntou-se ao Grupo no mês seguinte (julho de 1939). "Ele era um de nossos melhores trabalhadores na época. Estava completamente falido, mas era uma dessas pessoas orgulhosas que não aceitaria um centavo nem para pagar o ônibus. Esperava até que seu filho voltasse do trabalho de 'carregador de tacos' em um campo de golfe, a fim de conseguir um pouco de dinheiro para pequenos gastos", contou.

"Não sabia o preço da hospitalização quando me internei” recordou Warren, cujo filho "carregador de tacos" celebrou seu próprio 25° aniversário de A.A. em 1977. "Foi uma experiência rara, o primeiro que participou do programa em Cleveland sem hospitalização. Havia algumas pessoas que não me queriam no programa a menos que eu fosse internado, mas Clarence S. lutou para que eu permanecesse.

"Depois que Clarence conversou comigo em minha casa, outros também vieram. Não lhe permitiam que entrasse em uma reunião somente porque uma pessoa havia conversado com você, como fazem agora. Achavam que você deveria saber algo sobre o que ouviria e sobre o objetivo do programa.

"Depois Clarence me fez ir à casa de um dos novos membros todas as noites por três meses, e lá havia nove ou dez pessoas que conversavam comigo. Tive de ler o Livro Grande antes de ir à minha primeira reunião. Como conseqüência, acho que compreendi melhor o que estavam tentando fazer.

"Quando fui à casa de Al G., havia uma mistura de Grupo Oxford mais aqueles novos que haviam se juntado, como eu. Em novembro de 1939, formou-se o primeiro Grupo de A.A. na cidade de Cleveland – o velho Grupo Borton. Esse foi o primeiro Grupo onde não havia a mistura das pessoas do Grupo Oxford e dos AAs.

"Ainda continuamos indo até Akron - seis de nós em um carro", disse Warren. "Ao mesmo tempo, havia provavelmente meia dúzia de pessoas que vinham para Cleveland – Doc Smith, os meninos S. (Paul e Dick), Bill D. (AA número três), e assim por diante; não toda semana, mas de vez em quando. Dávamos apoio um ao outro no início."

Esse apoio mútuo foi indicado numa carta de Bob a Bill em setembro de 1939, na qual ele observou: "Participei de uma reunião do Grupo de Cleveland, como faço uma ou duas vezes por mês, e apreciei uma maravilhosa reunião. Acho que agora eles têm cerca de 38 na turma – refiro-me somente aos homens. Nossas reuniões ainda têm 75 ou 80 toda semana, incluindo homens e mulheres."

"Além de ir à reunião na casa de Al e a Akron, nove ou dez de nós nos encontrávamos todas as noites", contou Warren C. "Revelávamos nossos problemas do dia e conseguíamos a fortificação de que precisávamos para o novo dia que estava por vir.' "

"É claro, nessa parte do país, Dr. Bob era o nosso homem", observou Warren. "Esse é o resultado de conhecê-lo e estar em contato com ele como estivemos. Trabalhava com você as visitas do Décimo Segundo Passo e conversava com todas as pessoas que iam ao hospital. Tinha consideração e transmitia esse sentimento, também. Quero dizer, nós o adorávamos."

Extraido do Livro Dr. Bob e os Bons Veteranos – 2ª ed. 06/05