Alcóolicos Anônimos - Bahia - Área 26

História do A.A.

Alcoólicos Anônimos na Bahia

COMO TUDO COMEÇOU

Até meados de 1953, a população baiana desconhecia por completo qualquer forma de deter o alcoolismo, ainda que com ele convivesse há muito tempo. Isso até que o Professor João Mendonça, (Catedrático da Faculdade de Medicina da Bahia e também radialista) passasse a divulgar a existência de Alcoólicos Anônimos na Cidade do Rio de Janeiro, tecendo comentários elogiosos ao seu programa de recuperação.

Obstinado em seu propósito de propalar a boa nova, o Dr. Mendonça articulou-se com um membro de A.A. do Rio de Janeiro, de nome Paulo, o qual viajou para a Bahia de navio, desembarcando em junho daquele mesmo ano no porto de Ilhéus. Dali, deslocou-se até Itabuna, proferindo palestra sobre Alcoólicos Anônimos na Associação Comercial daquela localidade, onde presente estava o nosso saudoso companheiro Renato de Carvalho. Meses mais tarde, Paulo seguiu para Salvador e, no dia 10 de novembro de 1953, promoveu reunião de esclarecimento na casa de nº 27 da Rua Jogo do Carneiro, no Bairro da Saúde. Nesse imóvel, residia o sr. Veloso, amigo do Dr. Mendonça. Além de Paulo (membro de A.A.) e do Dr. Mendonça, participaram da reunião mais seis pessoas, incluindo-se o dono da casa, a saber: Herdy, Leone, Sampaio, Sebastião, Teresa e Veloso.

Não obstante o reduzido número de participantes, os esclarecimentos prestados na reunião surtiram efeitos prodigiosos, culminando com o ingresso das seis pessoas citadas. O incipiente grupo passou a reunir-se em outros endereços, dentre os quais: Avenida Vasco da Gama, nº 68 A; Rua Dr, José Joaquim Seabra, nº 89 (Baixa dos Sapateiros) e Rua Saldanha da Gama, nº 21 (2º andar). Mesmo precariamente, funcionou até meados de 1955, quando seus membros se dispersaram.

Em 1968, nasceu um outro grupo, no Bairro da Saúde, liderado pelos companheiros Rômulo e Macedo. Teve vida curta, durando apenas alguns meses.

Encerrou-se, desse modo, a primeira fase de Alcoólicos Anônimos na Bahia, em que, se não houve a continuidade desejada, pelo menos serviu para semear o terreno, dantes absolutamente árido, mas que foi adubado pela aura de esperança, permitindo a certeza de que o alcoolismo não era animal indomável, como se supunha.

O Poder Superior, que a tudo assentiu, pois nada acontece sem o seu consentimento, voltou a lançar benesses sobre o povo baiano. Em novembro de 197O, a Professora Marilza Champion trouxe do Rio de Janeiro um exemplar do livro "Alcoólicos Anônimos" e do livreto "44 Perguntas", oferecendo-os a um conhecido seu, chamado Montenegro, àquela época internado no Hospital Juliano Moreira, com sério problema de alcoolismo. Montenegro, desejoso por conseguir a sobriedade, entusiasmou-se com leitura das obras recebidas e buscou esclarecer-se de como poderia formar um grupo de Alcoólicos Anônimos.

Com o apoio da Professora Helena Maia, obteve permissão para utilizar uma das salas do prédio da Escola Pedro Calmon, localizada à Rua Alberto Torres, nº 18, Bairro de Matatu de Brotas. Com a inestimável colaboração de membros remanescentes do grupo de 1968, foi criado o Grupo Fraternidade, em reunião iniciada às 15 horas do dia 28 de julho de 1971. Os companheiros colaboradores de Montenegro foram: Antenógenes, Aureliano, Canhoto, Macedo, Murilo, Portugal e Rômulo.

Naquele mesmo ano, o companheiro Adir, de volta do Rio de Janeiro, trouxe folhetos recentemente editados em português. De posse desse material, organizou-se uma grande reunião de esclarecimento ao público, no dia 18 de setembro de 1971, coordenada por Adir, contando com a participação do Monsenhor Gaspar Sadock, que palestrou em nome do clero.

Após isso, a criação do grupo foi oficialmente comunicada aos órgãos nacionais de serviço, os quais remeteram, graciosamente, uma coleção de literatura, como era costume da época. Para manter o grupo em funcionamento, os pioneiros não mediram esforços. Valeram-se da boa vontade do pessoal do Jornal da Bahia, da Tribuna da Bahia e da Rádio Sociedade da Bahia. Valeu a perseverança, pois bons frutos foram colhidos.

Em meados de 1971, o alagoano Pedro M. foi residir em paulo Afonso. Membro de A.A. e desejoso de manter-se sóbrio, transmitiu a mensagem a um alcoólatra local. A conversa frutificou e, no dia 18 de dezembro de 1971, foi realizada a primeira reunião de A.A.em Paulo Afonso.

Em 28 de novembro de 1972, por inspiração do companheiro Silveira, surgiu o Grupo Oxalá, ainda hoje em funcionamento. Quinze anos mais tarde, a Bahia já contava com 25 grupos ativos na capital e quase uma centena no interior do estado.

OS SERVIÇOS LOCAIS

No dia 8 de agosto de 1981, sob a liderança de Montenegro, realizou-se uma reunião com o objetivo de formar um escritório de serviços, para atendimento aos grupos então existentes. Dela participaram, além de Montenegro, os seguintes companheiros: Loyola, Manoel, Moreira, Nilton, Ruy, Silveira e Viana. Após os necessários entendimentos, o ideal foi concretizado e surgiu oficialmente, no dia 7 de setembro de 1981, o ESAAB Escritório de Serviços de Alcoólicos Anônimos da Bahia, em reunião que contou com a participação dos seguintes companheiros: Alberto, Carlito, Edson, Ivaldo, João M, João V, Loyola, Manoel, Montenegro, Moreira, Newton, Olinir, Romualdo, Ruy, Silveira, Viana e Vilton.

Viveu seus primeiros dias em um prédio da Rua Direita de Santo Antônio, onde funcionava o Grupo O Caminho. Os companheiros Montenegro e Ruy ficaram encarregados da busca de imóvel para mudança do escritório, firmando-se contrato de locação no dia 9 de junho de 1981, em nome de Montenegro e afiançado por Carlito, com prazo de dois anos, a contar de 1O de junho daquele ano, tendo como objeto a sala de nº 5O7, localizada no Edifício Churchill, sito à Rua do Viaduto da Sé, na parte central de Salvador.

O seu primeiro Presidente foi o companheiro Carlito, ficando a Tesouraria a cargo de Silveira e a Secretaria sob os cuidados de Loyola. Essa diretoria foi formalizada em reunião de 5 de junho de 1981. Cabe esclarecer que, muito ocupado em suas atividades empresariais, Carlito não exerceu, de fato, a administração do ESAAB, fazendo-o Montenegro.

O primeiro estatuto foi aprovado em reunião de 15 de maio de 1983, com anteprojeto elaborado por uma comissão sugerida por Montenegro, quando de seu retorno da Conferência de Serviços Gerais, onde atuou como Delegado de Área.

Findo o primeiro contrato de locação, o ESAAB mudou-se para a sala onde também funcionava o gabinete dentário do cunhado de Carlito, estabelecendo-se grande confusão, pois a linha telefônica instalada servia tanto ao dentista como a Alcoólicos Anônimos. Mudou-se novamente, desta feita para a sala 5O4 do Edifício Hermida, sito à Avenida Sete de Setembro, nº 561 (Largo da Piedade). Nessa ocasião, era Presidente o companheiro Moreira; Vice-Presidente, o companheiro Xavier; o Secretário era Simplício. Manoel ocupou a Tesouraria. A companheira Maria José prestava serviços em tempo integral. De novembro de 1984 a novembro de 1986, Manoel da Paixão exerceu a Presidência, sendo auxiliado por Waldir G. (Secretário) e Lélia (Tesoureira).

Até o ano de 1986, o escritório, já denominado Central de Serviços de Alcoólicos Anônimos da Bahia, mantinha-se com absoluta precariedade financeira, sobrevivendo das contribuições de poucos companheiros. Daí até fins de 1989, iniciou-se o esboço de uma nova realidade, pois a literatura passou a ser comercializada regularmente. Alguns grupos começaram a contribuir, dentre os quais: Esperança, O Caminho, Reencontro, Salvador, São Cristóvão e São Francisco.

A partir de novembro de 1889, a CENSAA ganhou nova feição administrativa, graças ao impulso a ela deu o companheiro Fonseca, titular da Presidência durante todo aquele ano. O Conselho de Representantes Intergrupais (CRI), em que pese haver sido constituído formalmente na gestão anterior, conforme ata da reunião de 4 de setembro de 1988, não se reunia com regularidade, passando a fazê-lo, através de reuniões mensais, a partir daquele ano, prática que ainda hoje conserva.

A iniciada estruturação dos serviços locais teve continuidade nas gestões posteriores, contando atualmente com razoável mobiliário, microcomputador e linha telefônica própria. O estoque de literatura vem sendo gradualmente aumentado, de modo a constituir boa fonte de rendimentos, subsidiando as contribuições dos grupos no custeio das despesas do escritório. Transferiu-se, desde 14 de abril de 1995, para o primeiro andar do prédio de nº 5O4, situado à Rua Carlos Gomes (Largo do Mucambinho).

Três Sub-Conselhos de Representantes Intergrupais (subCRIs) foram criados, mas nenhum deles durou muito tempo. O primeiro constituía-se dos grupos da Cidade de Paulo Afonso; o segundo era formado pelos grupos do Bairro de Brotas e o terceiro pelos grupos situados na orla marítima de Salvador.

Dentre as conquistas feitas nessa última caminhada merece destaque a parceria estabelecida com o Comitê de Serviços da Área e com os Delegados da Área, em busca do exercício da Unidade. Ao lado disso, sobressai a organização do Comitê Trabalhando com os Outros (CTO), ainda em fase de estruturação, mas que já apresenta resultados compensadores, citando-se como exemplo o primeiro Seminário para Profissionais, realizado com sucesso, em junho de 1994, no auditório do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. O segundo está programado para o dia 31 deste mês, no auditório da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Cabe ainda referir-nos às palestras constantemente proferidas em empresas, escolas e órgãos da administração pública e aos permanentes contatos com profissionais, notadamente os da área da saúde. Menção há de ser feita ao Boletim Informativo, cujo número inicial foi publicado em abril de 1991, e que até hoje circula, sem haver sofrido qualquer interrupção.

Duas Intergrupais estão em funcionamento. A ISAA do Sul da Bahia, formada em 16.3.86, na Cidade de Itabuna, funcionando inicialmene nas instalações do Sindicato dos Comerciários, transferiu-se mais tarde para Ubaitaba, estando atualmente instalada na Cidade de Ilhéus. Participaram de sua formação os seguintes companheiros, dentre outros: Alan C, Lucival, Ney P, Nozor, Renato e Renatinho. Tem dado mostras de que é capaz de superar crises, lutando contra as adversidades. Vem prestando bons serviços a Alcoólicos Anônimos. A ISAA de Senhor do Bonfim vem funcionando desde 31 de julho de 1994, havendo recentemente promovido sua regularização como pessoa jurídica, normalizando o cadastramento junto ao ESG. A ISAA de Várzea do Poço funcionou no período compreendido entre 1991 e 1992, quando encerrou suas atividades.

OS SERVIÇOS GERAIS

A primeira Assembléia de Área foi realizada em 8 de novembro de 1981, na Cidade de Paulo Afonso, com a presença dos dois Delegados em exercício: Fernando e Montenegro, além de vários Representantes de Serviços Gerais (RSGs). O Comitê de Serviços da Área existe desde 5 de maio de 1985, quando foi criado, em reunião ocorrida em uma das salas do Colégio Nossa Senhora da Luz, no Bairro da Pituba, em Salvador. Naquela ocasião, Xavier foi eleito coordenador; Lélia, Secretária e Benevides, Tesoureiro.

Funcionou precariamente até inícios de 1992, ocasião em que começou a se estruturar. Nos dias atuais, a estruturação está consolidada, através da regularidade de funcionamento e dos serviços que vem prestando aos grupos. A Área da Bahia é constituída por 188 grupos regularmente cadastrados, estimando-se o total em 215, incluídos aqueles em fase experimental e os que não se correspondem com os órgãos de serviço. Esses grupos são coordenados por 23 Distritos, estando 8 deles situados na capital e os outros 15 no interior do estado.

Texto extraído do “Boletim Informativo” da CENSAABA, Edição especial de Outubro de 1995.